Cesto dos tesouros

Também conhecida como: Cesta dos tesouros, Cesto heurístico

Bebês Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações Corpo, gestos e movimentos Traços, sons, cores e formas

Uma avó sentada no chão, de pernas cruzadas, ao lado de um bebê que está sentado e tira uma colher de pau de um cesto de vime cheio de objetos. Bia observa de pé, um pouco afastada.
Posição inicial. Ilustração; nenhuma criança real.

Resumo rápido

Faixa etária
Bebês
Participantes
1 bebê por cesto; até 3 bebês com um cesto grande ou cestos lado a lado
Duração
20 a 40 minutos, enquanto durar o interesse
Espaço
Canto tranquilo da sala, com tapete, longe da passagem
Tipo
Sensorial / exploratória
Você vai precisar
  • Cesto de vime ou palha, baixo e firme: cerca de 35 cm de diâmetro e 10 a 12 cm de altura, sem alças
  • De 50 a 80 objetos de uso cotidiano, de materiais naturais ou metal, nenhum de plástico: colher de pau, escova de cabelo de cerdas naturais, bucha vegetal, pinha, concha grande, pedra lisa grande, tampa de panela pequena, molho de chaves, argola de madeira, pedaço de tecido, esponja, limão, chaveiro de metal, pincel, caixinha com tampa
  • Tapete ou almofadas para apoiar o bebê

Um cesto baixo cheio de objetos do cotidiano, de materiais naturais, para o bebê que já senta explorar com as mãos e a boca, enquanto o adulto observa por perto, em silêncio atento.

Idade indicada. Para bebês que já sentam com segurança e ainda não se deslocam muito, em geral entre 6 e 12 meses. Quando o bebê começa a engatinhar e andar, a continuidade é a brincadeira heurística, com os objetos espalhados pelo espaço.

Vídeo de demonstração (30 a 40 segundos, com adultos) em produção.

Como brincar

  1. Monte o cesto com antecedência: muitos objetos, de materiais variados (madeira, metal, tecido, fibra, natureza), todos limpos e inteiros. Encha até a borda, para o bebê ver abundância.
  2. Escolha um momento em que o bebê esteja alimentado, descansado e disposto. Sente-o no tapete com apoio de almofadas, se precisar, com o cesto ao alcance.
  3. Sente-se perto, na altura dele, e fique em silêncio atento. Você é a presença segura; não é quem mostra o que fazer.
  4. Deixe o bebê escolher, pegar, levar à boca, bater, largar, trocar. Não ofereça objetos nem nomeie o tempo todo. Responda com o olhar e com um sorriso quando ele procurar você.
  5. Quando o interesse acabar (ele vira, chora, quer colo), encerre. Guarde o cesto fora da vista para que ele continue especial.
  6. Troque alguns objetos a cada semana e lave os que foram à boca. Observe e anote o que ele escolheu.

Bia: Minha avó faz o cesto do meu irmão com coisas da cozinha. A colher de pau é a preferida dele, porque bate na tampa e faz barulho.

Variações

  • Brincadeira heurística (a partir do engatinhar): objetos espalhados pelo tapete em grupos, com recipientes para encher e esvaziar; o adulto continua em silêncio atento.
  • Cesto temático: só objetos de metal (sons), só de madeira (cheiros e pesos), só de tecido (texturas).
  • Cesto para dois ou três bebês: cesto maior ou dois cestos lado a lado, para que vejam uns aos outros explorando.
  • Na creche com turma mista: enquanto os bebês exploram, as crianças maiores podem ajudar a lavar e organizar os objetos depois.

Teo: E se cada semana o cesto fosse de um material só? Semana do metal, semana da madeira. Aí a gente percebe o que muda.

Todo mundo brinca

Davi: Aqui todo mundo brinca. A brincadeira é que se adapta.

  • Bebê que ainda não senta sozinho: no colo do adulto, de costas para ele, ou deitado de lado com o cesto tombado e os objetos ao alcance.
  • Bebê com baixa visão ou cegueira: mais objetos sonoros e de texturas contrastantes; o adulto descreve em voz baixa quando o bebê pega algo e deixa o resto em silêncio.
  • Bebê surdo ou com deficiência auditiva: objetos com vibração (tampas, chocalhos de madeira), brilho e reflexo; o adulto fica no campo de visão.
  • Bebê com hipotonia ou prematuro: menos objetos de cada vez, sessões mais curtas, apoio firme de almofadas; introduza um material novo por semana.
  • Bebê com sensibilidade sensorial: comece com dois ou três objetos de textura suave e aumente aos poucos; nunca force o contato.

Na BNCC

Campos de experiência predominantes: Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações Corpo, gestos e movimentos Traços, sons, cores e formas

Objetivos de aprendizagem e desenvolvimento

Como ler o código: EI = Educação Infantil; 01, 02 ou 03 = grupo etário da BNCC; duas letras = campo de experiência; número final = ordem do objetivo.

  • EI01ET01

    Explorar e descobrir as propriedades de objetos e materiais (odor, cor, sabor, temperatura).

    Espaços, tempos, quantidades, relações e transformações · BNCC: bebês (zero a 1 ano e 6 meses)
  • EI01CG05

    Utilizar os movimentos de preensão, encaixe e lançamento, ampliando suas possibilidades de manuseio de diferentes materiais e objetos.

    Corpo, gestos e movimentos · BNCC: bebês (zero a 1 ano e 6 meses)
  • EI01TS03

    Explorar sons produzidos com o próprio corpo e com objetos do ambiente.

    Traços, sons, cores e formas · BNCC: bebês (zero a 1 ano e 6 meses)
  • EI01EO03

    Interagir com crianças da mesma faixa etária e adultos ao explorar espaços, materiais, objetos, brinquedos.

    O eu, o outro e o nós · BNCC: bebês (zero a 1 ano e 6 meses)

As faixas deste acervo seguem as turmas e as revistas da escola: Bebês, 2 anos e 3 anos. Na BNCC, bebês vão até 1 ano e 6 meses (EI01) e crianças bem pequenas de 1 ano e 7 meses a 3 anos e 11 meses (EI02); assim, a faixa Bebês do site abrange o fim do grupo EI02 e as faixas 2 anos e 3 anos pertencem ao mesmo grupo EI02. Os códigos de objetivos seguem sempre a BNCC.

Direitos de aprendizagem predominantes: Explorar, Brincar, Conhecer-se, Conviver.

O que a criança desenvolve

  • Sensorial (texturas, pesos, temperaturas, sons, cheiros)
  • Motora fina (pegar, soltar, bater, encaixar)
  • Cognitiva (escolha, atenção, causa e efeito)
  • Emocional (concentração e segurança na presença do adulto)

Enunciados transcritos de memória a partir da BNCC (2017). Conferir cada código no documento oficial antes da banca.

Mediação do professor

Como propor

Prepare o cesto e o espaço antes; a proposta é o próprio cesto cheio. Sente-se ao lado e resista ao impulso de mostrar, nomear ou corrigir. Sua tarefa é observar e estar disponível: o bebê olha para você para checar se está tudo bem, e volta ao objeto.

Quando entrar e quando sair

Entre só por segurança (objeto que se soltou, bebê que tombou) ou quando o bebê pedir colo. Não entre para "ensinar" o uso do objeto: para o bebê, a colher de pau não é colher, é peso, som, textura. Saia da intervenção assim que ele retomar a exploração.

O que observar

  • Escolhas e repetições: que objetos ele pega primeiro? A quais volta?
  • Esquemas de ação: leva à boca, bate, sacode, larga, passa de uma mão para a outra, encaixa.
  • Atenção: quanto tempo fica com um objeto? O que o faz trocar?
  • Relação com o adulto: quantas vezes olha para você? Como reage quando outro bebê pega algo?

O que registrar

Uma ficha por bebê com data, objetos escolhidos e um episódio curto ("bateu a tampa na pedra oito vezes, riu, olhou para mim"). Uma foto do cesto montado, sem o bebê, serve como registro da proposta.

Importante: cuidados

  • Nada que caiba inteiro na boca: todo objeto deve ser maior que um rolo de papel higiênico (cerca de 4,5 cm). Teste um por um.
  • Sem pontas, lascas, tinta descascando, peças que se soltam ou fios. Inspecione o cesto antes de cada uso.
  • Objetos limpos; lave o que foi à boca. Atenção a alergias (látex, certas fibras, frutas cítricas).
  • Supervisão constante e próxima, sem exceção. O adulto não sai de perto nem usa o celular.
  • Cesto firme, que não tomba e não tem alças onde o braço prenda.

Davi: Antes de começar, a gente olha o chão e o espaço em volta. Depois é só brincar.

Momento em família

Um cesto de roupa baixo ou uma caixa de papelão firme serve. Encha com coisas da cozinha e do armário: colher de pau, escova, bucha, tampa de panela, pinha do parque, um pano. Sente perto e só olhe. Em três frases, por que isso é bom para o bebê: ele conhece o mundo pelas mãos e pela boca; aprende a escolher e a se concentrar; e sente que você está ali, sem precisar fazer nada por ele.

Qual foi o objeto preferido do seu bebê? Conte para a professora: ele pode entrar no cesto da turma.

De onde vem

Maira: Essa ideia veio da Inglaterra, de uma educadora que trabalhava em creches. Mas cesto de coisas da casa, toda avó já tinha.

O cesto dos tesouros (Treasure Basket) foi sistematizado pela educadora inglesa Elinor Goldschmied, a partir dos anos 1980, em seu trabalho com creches na Inglaterra e na Itália. A proposta parte de uma observação simples: o bebê que já senta quer explorar objetos reais, variados e abundantes, e aprende mais quando o adulto está presente sem dirigir. No Brasil, a prática se difundiu com a tradução de Educação de 0 a 3 anos (Goldschmied e Jackson) e com os estudos de Paulo Fochi sobre o brincar heurístico nas creches.

Referências

  • BRASIL. Ministério da Educação. Base Nacional Comum Curricular. Brasília: MEC, 2017.
  • GOLDSCHMIED, Elinor; JACKSON, Sonia. Educação de 0 a 3 anos: o atendimento em creche. 2. ed. Porto Alegre: Artmed, 2006.
  • FOCHI, Paulo (org.). O brincar heurístico na creche: percursos pedagógicos no Observatório da Cultura Infantil. Porto Alegre: Paulo Fochi Estudos Pedagógicos, 2018.
  • MAJEM, Tere; ÒDENA, Pepa. Descobrir brincando. Campinas: Autores Associados, 2010.

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